30/01/2015ÀS 7:39
Dilma Rousseff
poderia fazer um bem imenso ao Brasil e à Petrobras. Mas ela não vai. Já chego
lá.
A estatal é um retrato do Brasil sob a
era petista: gigante, depauperada, sucateada, com futuro incerto. Imaginem o
que aconteceria se, nas campanhas eleitorais de 2006, 2010 e até 2014, um
candidato do PSDB dissesse isto: “A Petrobras precisa redefinir o seu tamanho”.
João Santana, aquele marqueteiro que só fala a verdade, iria para a TV acusar
os tucanos de tentar privatizar a empresa. Pois foi o que falou nesta quinta,
em teleconferência com analistas, a presidente da estatal, Graça Foster. Foi
além: a gigante cambaleante terá de reduzir seus investimentos em exploração e
refino ao mínimo necessário. Trata-se de uma medida preventiva para assegurar o
caixa da empresa.
Como é que essa decisão se casa com a
obrigação que tem a Petrobras de ser parceira da exploração do pré-sal? Ora,
não se casa. Lembram-se daquela cascata da dupla Lula-Dilma em 2010 segundo a
qual o óleo lá das profundezas era um bilhete premiado? Isso ficou para trás. O
mais impressionante é que, no discurso proferido antes da reunião ministerial
de terça-feira, a soberana mandou brasa: “Temos de apostar num modelo de
partilha para o pré-sal, temos de dar continuidade à vitoriosa política de
conteúdo local”. Nesta quinta, na prática, Graça estava dizendo que a fala da
sua chefe é pura cascata.
Graça foi além. A Petrobras, que já
estuda não pagar dividendos a seus acionistas, resolveu congelar as obras de
Abreu e Lima, em Pernambuco, e da Comperj, no Rio — ambas com suspeitas de
superfaturamento e no epicentro da roubalheira perpetrada pela quadrilha que
comandou os destinos da empresa por mais de dez anos.
A Petrobras está no chão. Em dois dias,
suas ações caíram praticamente 15%, consequência da patuscada protagonizada
pela empresa, que divulgou um balanço de mentira. Na quarta-feira, a companhia
destacou em seu balanço empreendimentos superavaliados em R$ 88,6 bilhões.
Diante do número, Dilma fez aquilo que mais sabe fazer: ficou furiosa. Ela não
suporta a conspiração dos fatos.
Então ficamos assim: aquela que já foi
a maior empresa brasileira tem ativos superestimados em R$ 88,6 bilhões; já
calcula em R$ 4 bilhões só o montante da roubalheira; pensa em não pagar
dividendos; divulga um balanço não auditado; congela obras em andamento; reduz
à sua expressão mínima a exploração e o refino de petróleo, suas principais
áreas de atuação, e sua presidente diz que a apuração das falcatruas pode durar
muitos anos.
E Dilma? Ah, Dilma Rousseff poderia
fazer com que a empresa, que hoje deve valer pouco mais de R$ 100 bilhões na
Bolsa, volte a valer quase R$ 400 bilhões. Bastaria ir à televisão e anunciar:
“Assim que sanarmos as contas, vamos privatizar a Petrobras”. As ações subiriam
de modo vertiginoso e contínuo. É certo que alguns vagabundos e larápios
tentariam organizar alguns protestos… A população, cansada de ser roubada e de
pagar a gasolina mais cara do mundo, certamente aplaudiria. Antes que as antas
se levantem: todas as riquezas do subsolo brasileiro pertencem à União, pouco
importa quem as explore.
Mas Dilma não vai fazer isso. O PT está
decidido a enterrar o Brasil e a Petrobras, dois gigantes cambaleantes.
Texto publicado
originalmente às 4h24
Por
Reinaldo Azevedo
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