SÃO LUÍS
- O juiz Marcelo Testa Baldochi foi afastado de suas funções pelo
Tribunal de Justiça do Maranhão, na manhã desta quarta-feira, 17. O magistrado
protagonizou uma cena polêmica no aeroporto de Imperatriz, no dia 6 de
dezembro, quando deu voz de prisão a três agentes da companhia aérea TAM após
chegar atrasado para embarcar em voo com destino para São Paulo.
A
apuração do caso foi feita pelo desembargador Bayama Araújo. O membro da alta
corte do judiciário maranhense apresentou relatório e pediu instauração de
procedimento administrativo disciplinar com imediato afastamento das funções
judiciais.
Segundo
Araújo, a decisão se deu por diversos motivos. A arbitrariedade das prisões não
foi o único. Várias instâncias, como a Ordem dos Advogados do Brasil e a
Associação dos Magistrados, repudiaram a atitude que ganhou repercussão
nacional.
"Jamais
tinha sido humilhado dessa forma. Ser chamado de calhorda, de vagabundo, de
pilantra", comentou o despachante de voo Argemiro Augusto.
Segundo a
investigação da polícia, as câmeras do aeroporto mostram o momento da chegada
do juiz Marcelo Baldochi ao balcão da companhia aérea, às 20h37. Os
funcionários informam que o check-in do voo para Ribeirão Preto, em São Paulo,
havia sido encerrado quatro minutos antes. O juiz então reclama: "Tem que
aprender a respeitar o consumidor", diz.
Irritado,
dá voz de prisão aos atendentes. "Está preso em flagrante", afirma.
Imagens de celular de outro passageiro mostram quando policiais levaram os
funcionários para a delegacia.
Representação
da OAB. Segundo o CNJ, fora este processo, existem outros seis processos contra
o juiz Baldochi que foram arquivados. Esta semana, a Ordem dos Advogados do
Brasil entrou com uma representação contra o juiz por causa de denúncias como
humilhação e tentativas de dificultar o trabalho dos advogados na região.
"Não dá para somar. As reclamações são muitas", revela o presidente
da OAB de Imperatriz Malaquias Neves.
"Tudo
aí são antecedentes e talvez tenha outros casos que possibilitem, que nos
obriguem a tomar providências legais com a abertura de novas
investigações", afirma o desembargador Bayama Araújo.
Uma delas
envolve o tabelião Robson Cordeiro, que recebeu uma ordem de prisão escrita à
mão pelo juiz Marcelo Baldochi dias antes do episódio no Aeroporto de
Imperatriz. Ele conta que se negou a entregar de graça a cópia de um documento
porque o papel estava sem o selo de gratuidade impresso. "Eu sei que ele é
um juiz, a gente tem que cumprir as determinações dele, mas não arbitrariamente
dessa forma", diz o tabelião.
Cordeiro
foi liberado por falta de provas, mas diz que já encaminhou uma queixa ao
Conselho Nacional de Justiça e vai processar o juiz por danos morais. A
testemunha dele contra Baldochi é outro juiz. "Eu vou apenas narrar o que
eu tomei conhecimento. Não podemos nos furtar a falar a verdade, ainda que seja
contra um juiz que é do mesmo tribunal que eu pertenço", conta o juiz
Adolfo Pires.
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